29 de abr. de 2010

O nada (como um)
O dia
O após
O outro
Quando impera o alívio
do esperado acordo (de beijos)
Se instala enfim, o riso
Que sempre resgata
da beira de um abismo


Camila Karina

28 de abr. de 2010

Quero novas inspirações que me eximam de mágoas
Novas perspectivas que não venham de lágrimas
E nesta espera, qualquer um pode cansar
Exaustivas dúvidas, exaustivas súplicas
Os silêncios que norteiam os sentimentos
Tais silêncios que multiplicam ressentimentos
Quero novas inspirações que não sejam fugazes
Nesta guerra, fazer as pazes
Quero novas inspirações
E eu não sou uma exceção
Se pudesse escolher, escolheria o amor
No amor, não se mede forças
Sem qualquer restrição

Camila Karina

27 de abr. de 2010

Sim (gelo)
Com (um) tratamento
Para curas e afins
Singelo esquecimento
Causa, ferimento
E cicatrizes de marfim
O (im) pedido
Já não aquece o peito
Sim, gelo para esfriar os ânimos
Ao falarmos
Um diálogo de estranhos.


Camila Karina

26 de abr. de 2010

Livra-te
Livra-me
As páginas destes livros cruzados se perdem a cada folheada
No tiro
Ao alvo
Não importa quem foi o primeiro
E sim
os estragos que convergem para a pior estrada
Livra-te
Livra-me
Nossos livros com histórias distintas ainda possuem compreensões
Ou foram amassadas pelo desespero?
No tiro
Ao alvo
Ninguem sairá ileso
Cabe a mim
À ti
Acordar para os mais profundos anseios

Camila Karina

24 de abr. de 2010

Nas palavras
Os espaços
Entendidos com embaraços
Os pretensos causos
Arrastando os passos
Nos silêncios
Os medos
Distinção, desejos
Não fujo dos fatos
Me distrai o abstrato
O não crer é uma tristeza
Cabe a alguém
Me livrar desta peleja?

Camila Karina

23 de abr. de 2010

Todos somos fumantes passivos, até mesmo o próprio fumante, e não estou me referindo apenas a fumaça que exala de um cigarro, me refiro as informações que inalamos todos os dias imperceptívelmente.

Pessoas, coisas, fatos, ares, sons, absolutamente tudo inalamos sem ter idéia de toda a carga diária de opiniões que pousa em nossos corpos. Mas o que eu gostaria de enfatizar é o fato de absorvermos energias positivas e negativas. Isso consequentemente influencia o cotidiano e todos que nos cercam, todos que compartilham da pequena ilha que somos.

Sempre abro precedentes para que discordem ferrenhamente da minha vã filosofia cotidiana atrapalhada. Claro que para alguns, seus narizes são impermeáveis, nasceram com um tipo de filtro especial que impedem qualquer tipo de absorção. Ingenuos difíceis, posso dizer.

Não é fácil. Isso eu sei, com conhecimento de causa. O mesmo serve para as relações humanas, na qual todos os dias, por vários meios, estamos inalando fumaça, com nosso pequeno filtro, com uma tosse ali, outra reclamação acolá, no caminho diário de um fumante passivo.

Existem vários tipo de fumantes passivos, aqueles que reclamam o tempo inteiro mas continuam lá sem mover um dedo, os que saem de perto, os que reclamam e tomam atitude e os que pegam o cigarro do outro agressivamente e enterram no chão, ou aqueles que iniciam uma conversa amigável, o diálogo...ah o diálogo. Mas o porém é que também existem vários tipos de fumantes, cabe a você agir da melhor maneira. Eis que são emissor e receptor, você não escolhe. Você e eu, somos os dois.

Sinceramente, odeio cigarro, mas convivo com os fumantes passivamente até que minha alergia me obrigue o contrário.


Camila Karina

22 de abr. de 2010

Por esses dias, vi uma versão muito interessante de “O mágico de Oz”, trata-se de uma versão com personagens negros, com a participação do Michael Jackson quando ele ainda era negro. O filme chama-se “O feiticeiro”. Quem atuou como Dorothy foi Diana Ross e outros niggaz que não lembro o nome agora.

O contexto geral do filme me chamou atenção por tratar de um tema atemporal : a zona de conforto. Assunto este que também já vinha materlando em minha cuca por presenciar algumas situações que logo me remeteram a isso. No filme, Dorothy não sai de casa. Para ela está tudo bem viver apenas com seu cão totó e seguir a rotina, mas sente uma angústia inexplicavel.

Um belo dia tudo acontece e ela começa a vivenciar e conhecer as novidades do mundo e entender que esta angústia poderia ser entendida melhor se ela saisse de sua zona de conforto. Isto significa se abrir para as novas experiencias. Para Dorothy, significava conhecer o mundo, para outros e pra mim também pode significar mudanças.

Citarei algumas.

É muito fácil criticar, despejar a raiva contida, esbravejar, reclamar em coisas ou pessoas que temos quase a certeza que não mostraram nenhum tipo de reação ou defesa mais agressiva. Eis uma zona de conforto, a comodidade de criticar e ainda pior, não trazer junto com a raiva esparramada nenhum tipo de solução aparente, nenhum beneficio paralelo.

É muito fácil apontar erros, falhas, defeitos, precisamente para outros e não para o maior criticado, remetendo-o a grandes piadas, desmoralização. Atire a primeira pedra quem nunca o fez, mas a questão é escolher se você vai continuar nesta zona de conforto sentado na sua roda de amigos, fazendo sempre o mesmo, nesta lertargia e inércia pessoal.

Falo isso porque um fato irreverente aconteceu em minha cidade, a respeito de uma crônica infeliz que discorria coisas negativas sobre o Estado e as pessoas que vivem nele. Tudo bem, texto infeliz, postura infeliz, agora uma comoção geral para algo tão pequeno, no qual, todos sabiam que o judas não viria até a cidade confrontar todas as críticas foi fácil (até demais).

O problema em sí não foi o texto, mas toda a mobilização em cima disso. A realidade da cidade é muito além de uma crônica, a “saúde” da cidade é CRÔNICA. Roubo, corrupção e muito mais. Alguém se mobiliza? Não. Todos permanecem no aconchego de suas zonas de conforto. Por que? Suponho que com uma mobilização para tais coisas, ninguém sairia ileso. É preciso muito mais do que comunidades no orkut e críticas em blogs para sair desta ZONA.

Camila Karina

Pensaram por aqui

 

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