Ao voltar para casa ontem, tive uma experiência fantástica. E não
falo de algo material e sim, algo de humano para humano. Depois de um
excelente atendimento no novo empreendimento (cinema) de Macapá, peguei
meu ônibus de cada dia e presenciei atitudes que, julgo sim, serem
dignas de parabenização, de emoção e as vezes lágrimas. Sem exageros.
Desde o cobrador, que cumprimentou e deu boa noite, já me sentia bem. Um
"bom dia" e um "boa noite" fazem muito bem, não há dúvida. Mas
falo daquele "bom dia" fora do automático, olhando nos olhos. No
trajeto, havia uma familia um tanto longe da parada de ônibus,
levantando a mão para que os veículos parassem na faixa. O único a parar
foi o motorista do ônibus que eu estava. O homem, que atravessava,
também fez sinal para que o motorista parasse pois ele pegaria o mesmo
ônibus que eu. O motorista parou no meio da rua, e a familia subiu. Mas,
logo na rua seguinte, um garoto estava há uns metros de distância (uma
corrida dava pra chegar) e vinha levantando a mão. O motorista
gentilmente esperou e o garoto subiu. E assim, seguimos o trajeto. Tais
atitudes me tocaram tanto, que me coube um sorriso até chegar ao meu
destino. Vim para casa pensando que, o fato me deixou tão bem, e que,
gentileza realmente gera gentileza. Não pude deixar de dar boa noite e
desejar bom trabalho ao motorista. Minha vontade era mesmo dizer que, é
muito gratificante ver que, nem todos estamos corrompidos pelo cotidiano
brutal do "cada um por si". E que, não precisa ter uma profissão para
mais ou para menos na pirâmide social, que destine um nivel de educação e
consideração com desconhecidos. Essa injeção de ânimo deixou minha
noite incrivel. O velho/atual ditado continua mais proveitoso que nunca:
"Fazer o bem faz bem" E presenciar isso também.
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4 de jul. de 2014
O dia começou agitado, porque é dia de jogo. Mas isso não me comove,
não gosto de futebol, e a copa está acontecendo, algumas pessoas
querendo ou não. A questão é que, alguns ônibus passaram lotados e
preferi me atrasar do que entrar em algum deles, mas não teve jeito.
Entrei no ônibus relativamente lotado ( nada comparado ao que se vê em
SP, mas estava). Tentei passar um pouco mais para frente mas estava
impossível, tinham dois estudantes com mochilas gigantes. Pedi licença e
um deles me olhou furioso e disse: "Só arredar que passa!". Isso me deu
nos nervos. Respirei fundo, mas sabia que não conseguiria ficar calada.
Minha primeira ideia era dar uns gritos com o moleque, mas, lembrei que
com grito, a reação é de defesa, então, peguei no braço dele com
carinho e disse: "Cara, a tua mochila ocupa muito espaço, será que não
rola de tirares da costa e deixar embaixo? Vai trazer dois beneficios;
um pra tua coluna e vai abrir espaço. Tens direito a ter o teu espaço e
eu também não é?" O outro estudante que estava com ele, logo tirou a
mochila das costas e ele também, um pouco resistente, mas rolou. As
vezes esquecemos que existe espaço para todo mundo. Não só no ônibus,
mas em todo lugar, porém, RESPEITO é mais do que essencial para que cada
espaço seja utilizado da melhor forma sem prejudicar a passagem de
ninguém.
#reflexões do Busão
Camila Karina
#reflexões do Busão
Camila Karina
9 de jun. de 2014
Sempre prezei minha regra interna : "Todos temos direito de sentir
raiva". E sempre levo isso comigo, mas não de maneira negativa e sim, de
que, posso a qualquer momento, me dar o direito de me revoltar e me
indignar. Claro, isso soa um tanto egoísta quando acontece algo alheio à
vontade das pessoas, e a partir disso, a minha regra tomou um sentido
diferente. Hoje, ao pegar o ônibus, no meio do caminho o "bicho"
quebrou. Ora pois, andamos todos os dias em latas velhas, sucata, mas é o
que tem para todo dia. Mas isso não foi o fim do mundo, e por incrível
que pareça, nem para os outros passageiros que estavam ali dentro. Nosso
primeiro impulso foi reclamar com o motorista, mas quando ele levantou
do volante encharcado de suor, a cena me levou à pensamentos que me
abalaram. E aconteceu uma conversa com as pessoas ao meu redor dizendo
que, o motorista não tinha culpa, o ônibus por si só era o culpado, e o
rapaz estava ali há horas rodando, sem tomar água, sem comer, lutando
pelo seu salário de cada dia, e felizmente, muitas pessoas concordaram.
Outras culparam o prefeito, outras o governo, mas eles não vem ao caso (
apesar de ser um caso sério). O cobrador falou bem baixinho para mim:
"A empresa não está nem aí para o motorista, para o cobrador". Eu até um
tempo também não estava, mas comecei a estar. Além disso, o que me
sensibilizou foi o fato, a conversa que aconteceu ali no ônibus. Ninguém
estava com seus celulares, grudados no WhatsApp, twitter ou facebook.
Estávamos ali, interagindo tradicionalmente, tendo uma conversa de
verdade, falando de política pública, trabalho, luta diária, esperas
intermináveis por melhorias. Uma senhora me ofereceu banana frita, outra
ofereceu jujuba.Talvez eu nunca mais encontre com essas pessoas, mas
senti como se fossem velhos conhecidos. Tudo isso me fez esperar o outro
ônibus com uma paciência incrível. Isso me gera lágrima nos olhos ao
escrever, porque todos os dias, temos nossa rotina cronometrada, em
busca de trabalhar, dar o melhor para ter o beneficio no fim do mês e
esquecemos de olhar para o próximo e pensar com clareza quando acontece
algo que nos afeta negativamente. Seria bom pensar não só no "o que
aconteceu" mas também pensar no "porque aconteceu". Todo mundo tem um
dia ruim, mas podemos dar um jeito nisso gastando apenas uns minutos
para balancear o que pode ser feito de bom naquele momento. Eu poderia
protestar neste texto por um transporte público mais digno, mas hoje
priorizei a interação menos ordinária e mais verdadeira.
Reflexões do Busão
28 de mai. de 2014
Entendo a necessidade de ter um
carro, entendo que possibilita diversas facilidades, mas percebo também
que a maioria das pessoas que adquire um carro, adquire um egoísmo
unanime. Aquele egoísmo de chegar na frente, de não ter ninguém à sua
frente, de ser o mais rápido. Mas o que indigna de fato é a irrelevância
que os pedestres ganharam para alguns. Falo principalmente daqueles
que, em dias de chuva, tem aquele prazer maldoso de molhar as pessoas que
tentam à todo custo livrar-se as poças de lama. Engraçado que, quando
um motorista tem o senso de respeito, vem logo outro em seguida com uma
pressa insana. Parece que dentro de um carro alguns ganham um poder
imaginário de que são inatingíveis. É um engano. A tendência é aumentar
esse egoísmo, por isso, não sinto vontade de ter um carro. Sempre dizem:
"você tem que dirigir"; "é libertador não depender"; "é necessidade".
Mas lhe digo que minha necessidade é de respeito comigo e com o próximo.
O carro? Quem sabe daqui há uns anos.
Das reflexões do busão
Camila Karina
Camila Karina
20 de mai. de 2014
Durante minha viagem diária de ônibus, sentei na janela e comecei a
pensar nos exemplos do que não quero ser e de como não agir com as
pessoas. Todos somos iguais, mas nossas energias não. Quantos pontos as
pessoas de carater ganham por ser honestas e boas? No meio desse furacão
de interesses , temo que nos esqueçamos do que realmente importa para
nossa vivência neste mundo. Valores simples e "clichês": amor, amizade e
respeito. Não é fácil manter o foco e prezar por esses valores
pois nos deparamos diariamente com seres inescrupulosos, cheios de
artimanhas, o que me indigna e surpreende sempre. Não consigo "aprender"
com a vida a respeito destes perfis. Não quero me tornar um escudo anti
seres humanos. Quero continuar acreditando nas pessoas, mas isso não
quer dizer que eu não tenha a percepção de quem me deseja algo de ruim
ou deseja me prejudicar. Mas a esperança tem um lugar cativo na minha
crença de que tais pessoas possam mudar as atitudes e emanar energias
boas.
Camila Karina
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