14 de ago. de 2009

Desejaria construir um código de inércia para os superiores nas sociedades modernas. A sociedade governar-se-ia espontaneamente e a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim. Pena é que a expulsão dos superiores da sociedade resultaria em eles morrerem, porque não sabem trabalhar. E talvez morressem de tédio, por não haver espaços de estupidez entre eles. Mas eu falo do ponto de vista da felicidade humana. Cada superior que se manifestasse na sociedade seria expulso para a Ilha’ dos superiores. Os superiores seriam alimentados, como animais em jaula, pela sociedade normal. Acreditem: se não houvesse gente inteligente que apontasse os vários mal- estares humanos, a humanidade não dava por eles. E as criaturas de sensibilidade fazem sofrer os outros por simpatia. Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dever dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante e curioso se passa. Ninguém imagina a volúpia que arranco ao noticiário sucinto das províncias. Os meros nomes abrem-me portas sobre o vago. O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república. Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de si próprio.

Bernardo Soares, um dos semi-heterônimos de Fernando Pessoa (o cara!)

10 de ago. de 2009

Discorrer sobre pensamentos nem sempre é aliviar a alma, mas ajuda.

Cada um coloca as pontes ou barreiras onde quer, mesmo que insconcientemente. Mas sinceramente, acredito que todas elas sejam conscientes.

O que eu quero? Nâo faço idéia.

Mas o que não quero já tenho idéias bem claras.


Camila Karina

7 de ago. de 2009

O filme é baseado no romance “Revolutionary Road” de Richard Yates, com o roteiro de Justin Haythe. Discorre sobre um pequeno drama familiar (casal entra em crise após o fracasso do plano de se mudar de Connecticut para Paris) ele elabora um raro exemplar de tragédia existencial cinematográfica.Mais uma de Sam Mendes (Beleza Americana)

A protagonista é vivida por Kate Winslet, já premiada por este papel no Globo de Ouro. Poucas vezes o cinema conseguiu demonstrar tão sinteticamente os impasses culturais de um período da história americana como este Foi Apenas Um Sonho. Focaliza um casal que se une logo após o fim da Segunda Guerra e cujo casamento coincide com a consolidação do sistema econômico que só agora vemos entrar em crise nos Estados Unidos.

A monótona vidinha de classe média – definida pelo lúcido lunático interpretado por Michael Shannon, como “the hopeless emptyness” (o vazio desesperador) – incomoda o vaidoso personagem de Leonardo DiCaprio, mas é a esposa quem concebe a idéia de se mudar para a Europa e “passar a viver de fato”.

No entanto, os obstáculos a essa meta se mostram tão intransponíveis quanto insidiosos, ou seja, se encontram em tudo, em todas as coisas e pessoas. Exatamente como era a expressão dos desígnios divinos, na tragédia clássica. Insistindo na comparação, o filme também tem um coro (os vizinhos e amigos), um mago portador da verdade (o já citado maluco de Michael Shannon), sem falar na sangrenta catarse do final.

Os personagens simbolizam os pais da geração que se encontra atualmente transtornada pela crise econômica: dessa gente que atravessou a adolescência nos anos 60, experimentou a rebeldia e depois se integrou ao sistema, chegando agora à aposentadoria. Na pele da heroína, a encantadora rebelde que todos queríamos ter sido, Kate Winslet verbaliza a consciência do filme na frase: “ninguém se esquece da verdade, apenas se aprende a mentir melhor”.

Esse filme realmente mecheu com meus pensamentos/sentimentos.

Fonte: desconhecida.


6 de ago. de 2009

quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo, chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento

Paulo Leminski

5 de ago. de 2009

A clareza falsa, rígida, não-lar dos hospitais

A alegria humana, vivaz, sobre o caso da vizinha

Da mãe inconsolável a que o filho morreu há um ano

Trapos somos, trapos amamos, trapos agimos —

Que trapo tudo que é este mundo!


Álvaro de Campos (para os íntimos, Fernando Pessoa)

3 de ago. de 2009

Foi você chegar e virou canção
Tudo se encantou,
Conectou
Você me abraçou
Mão na minha mão
E tudo vibrou
Eletrizou
Não peço nada demais
Teu calor, teu carinho,
Tão pouco
Teus braços, teus beijos,
Teu corpo (..)

Alice Ruiz

2 de ago. de 2009

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel


It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel


Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean

And this old world is a new world
And a bold world
For me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel


Nina Simone

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