Janelas abertas
Portas quebradas
Sangue nas mãos
Sorriso no rosto
Livre caminhar
É o poder da fúria
Prazer em conhece-lo
Um dia, para todos
Camila Karina
Fazer qualquer coisa completa, inteira, seja boa ou seja má - e, se nunca é inteiramente boa, muitas vezes não é inteiramente má - , sim, fazer uma coisa completa causa-me, talvez, mais inveja do que outro qualquer sentimento. É como um filho: é imperfeita como todo o ente humano, mas é nossa como os filhos são.
E eu, cujo espírito de crítica própria me não permite senão que veja os defeitos, as falhas, eu, que não ouso escrever mais que trechos, bocados, excertos do inexistente, eu mesmo, no pouco que escrevo, sou imperfeito também. Mais valeram pois, ou a obra completa, ainda que má, que em todo o caso é obra; ou a ausência de palavras, o silêncio inteiro da alma que se reconhece incapa de agir.
Bernardo Soares
Leitores que acompanham este blog, publicamente e anonimamente, resolvi divulgar um pouco do meu trabalho fotográfico aqui.






Viver é fazer meia com uma intenção dos outros. Mas, ao fazê-la, o pensamento é livre, e todos os príncipes encantados podem passear nos seus parques entre mergulho e mergulho da agulha de marfim com bico reverso. Crochet das coisas... Intervalo... Nada...
De resto, com que posso contar comigo? Uma acuidade horrível das sensações, e a compreensão profunda de estar sentindo... Uma inteligência aguda para me destruir, e um poder de sonho sofrego de me entreter... Uma vontade morta e uma reflexão que a embala, como a um filho vivo... Sim, crochet..."
Bernardo Soares ( ou Fernando Pessoa, inconfundivel)
Que flechas são estas em minha direção, encontrando com meus músculos e sangue à queima roupa?
Que pedras são estas em meus ouvidos que pesam nos tímpanos e impedem de ouvir o tom da voz que me agrada?
Que estacas são estas que cravam nos pés, esmagando os dedos, causando formigamentos que espetam minha pele como agulhas?
Murros de sílabas, marcas felinas de patas
Corro para me esconder? Enfrento para entender? Aceito para aprender?
Meu corpo e mente mostram-se doloridos de tantos choques, de várias direções.
Eis a luta, a batalha para adaptação.
Ao abrir os olhos, as pupílas denunciam que não passam de óticas distintas
Uma visão atenta
Outra visão filtrada
Por dentro cada fera tem seu instinto defensivo
Mas cada fera também procura um abrigo.
Camila Karina