29 de abr de 2010

O nada (como um)
O dia
O após
O outro
Quando impera o alívio
do esperado acordo (de beijos)
Se instala enfim, o riso
Que sempre resgata
da beira de um abismo


Camila Karina

28 de abr de 2010

Quero novas inspirações que me eximam de mágoas
Novas perspectivas que não venham de lágrimas
E nesta espera, qualquer um pode cansar
Exaustivas dúvidas, exaustivas súplicas
Os silêncios que norteiam os sentimentos
Tais silêncios que multiplicam ressentimentos
Quero novas inspirações que não sejam fugazes
Nesta guerra, fazer as pazes
Quero novas inspirações
E eu não sou uma exceção
Se pudesse escolher, escolheria o amor
No amor, não se mede forças
Sem qualquer restrição

Camila Karina

27 de abr de 2010

Sim (gelo)
Com (um) tratamento
Para curas e afins
Singelo esquecimento
Causa, ferimento
E cicatrizes de marfim
O (im) pedido
Já não aquece o peito
Sim, gelo para esfriar os ânimos
Ao falarmos
Um diálogo de estranhos.


Camila Karina

26 de abr de 2010

Livra-te
Livra-me
As páginas destes livros cruzados se perdem a cada folheada
No tiro
Ao alvo
Não importa quem foi o primeiro
E sim
os estragos que convergem para a pior estrada
Livra-te
Livra-me
Nossos livros com histórias distintas ainda possuem compreensões
Ou foram amassadas pelo desespero?
No tiro
Ao alvo
Ninguem sairá ileso
Cabe a mim
À ti
Acordar para os mais profundos anseios

Camila Karina

24 de abr de 2010

Nas palavras
Os espaços
Entendidos com embaraços
Os pretensos causos
Arrastando os passos
Nos silêncios
Os medos
Distinção, desejos
Não fujo dos fatos
Me distrai o abstrato
O não crer é uma tristeza
Cabe a alguém
Me livrar desta peleja?

Camila Karina

23 de abr de 2010

Todos somos fumantes passivos, até mesmo o próprio fumante, e não estou me referindo apenas a fumaça que exala de um cigarro, me refiro as informações que inalamos todos os dias imperceptívelmente.

Pessoas, coisas, fatos, ares, sons, absolutamente tudo inalamos sem ter idéia de toda a carga diária de opiniões que pousa em nossos corpos. Mas o que eu gostaria de enfatizar é o fato de absorvermos energias positivas e negativas. Isso consequentemente influencia o cotidiano e todos que nos cercam, todos que compartilham da pequena ilha que somos.

Sempre abro precedentes para que discordem ferrenhamente da minha vã filosofia cotidiana atrapalhada. Claro que para alguns, seus narizes são impermeáveis, nasceram com um tipo de filtro especial que impedem qualquer tipo de absorção. Ingenuos difíceis, posso dizer.

Não é fácil. Isso eu sei, com conhecimento de causa. O mesmo serve para as relações humanas, na qual todos os dias, por vários meios, estamos inalando fumaça, com nosso pequeno filtro, com uma tosse ali, outra reclamação acolá, no caminho diário de um fumante passivo.

Existem vários tipo de fumantes passivos, aqueles que reclamam o tempo inteiro mas continuam lá sem mover um dedo, os que saem de perto, os que reclamam e tomam atitude e os que pegam o cigarro do outro agressivamente e enterram no chão, ou aqueles que iniciam uma conversa amigável, o diálogo...ah o diálogo. Mas o porém é que também existem vários tipos de fumantes, cabe a você agir da melhor maneira. Eis que são emissor e receptor, você não escolhe. Você e eu, somos os dois.

Sinceramente, odeio cigarro, mas convivo com os fumantes passivamente até que minha alergia me obrigue o contrário.


Camila Karina

22 de abr de 2010

Por esses dias, vi uma versão muito interessante de “O mágico de Oz”, trata-se de uma versão com personagens negros, com a participação do Michael Jackson quando ele ainda era negro. O filme chama-se “O feiticeiro”. Quem atuou como Dorothy foi Diana Ross e outros niggaz que não lembro o nome agora.

O contexto geral do filme me chamou atenção por tratar de um tema atemporal : a zona de conforto. Assunto este que também já vinha materlando em minha cuca por presenciar algumas situações que logo me remeteram a isso. No filme, Dorothy não sai de casa. Para ela está tudo bem viver apenas com seu cão totó e seguir a rotina, mas sente uma angústia inexplicavel.

Um belo dia tudo acontece e ela começa a vivenciar e conhecer as novidades do mundo e entender que esta angústia poderia ser entendida melhor se ela saisse de sua zona de conforto. Isto significa se abrir para as novas experiencias. Para Dorothy, significava conhecer o mundo, para outros e pra mim também pode significar mudanças.

Citarei algumas.

É muito fácil criticar, despejar a raiva contida, esbravejar, reclamar em coisas ou pessoas que temos quase a certeza que não mostraram nenhum tipo de reação ou defesa mais agressiva. Eis uma zona de conforto, a comodidade de criticar e ainda pior, não trazer junto com a raiva esparramada nenhum tipo de solução aparente, nenhum beneficio paralelo.

É muito fácil apontar erros, falhas, defeitos, precisamente para outros e não para o maior criticado, remetendo-o a grandes piadas, desmoralização. Atire a primeira pedra quem nunca o fez, mas a questão é escolher se você vai continuar nesta zona de conforto sentado na sua roda de amigos, fazendo sempre o mesmo, nesta lertargia e inércia pessoal.

Falo isso porque um fato irreverente aconteceu em minha cidade, a respeito de uma crônica infeliz que discorria coisas negativas sobre o Estado e as pessoas que vivem nele. Tudo bem, texto infeliz, postura infeliz, agora uma comoção geral para algo tão pequeno, no qual, todos sabiam que o judas não viria até a cidade confrontar todas as críticas foi fácil (até demais).

O problema em sí não foi o texto, mas toda a mobilização em cima disso. A realidade da cidade é muito além de uma crônica, a “saúde” da cidade é CRÔNICA. Roubo, corrupção e muito mais. Alguém se mobiliza? Não. Todos permanecem no aconchego de suas zonas de conforto. Por que? Suponho que com uma mobilização para tais coisas, ninguém sairia ileso. É preciso muito mais do que comunidades no orkut e críticas em blogs para sair desta ZONA.

Camila Karina

21 de abr de 2010

Quem os vê andar pela cidade
se todos estão cegos?
Eles se tomam as mãos: algo fala
entre seus dedos, línguas doces
lambem a úmida palma, correm pelas falanges,
e acima a noite está cheia de olhos.

São os amantes, sua ilha flutua à deriva
rumo a mortes na relva, rumo a portos
que se abrem nos lençóis.
Tudo se desordena por entre eles,
tudo encontra seu signo escamoteado;
porém eles nem mesmo sabem
que enquanto rodam em sua amarga arena
há uma pausa na criação do nada
o tigre é um jardim que brinca.

Amanhece nos caminhões de lixo,
começam a sair os cegos,
o ministério abre suas portas.
Os amantes cansados se fitam e se tocam
uma vez mais antes de haurir o dia.

Já estão vestidos, já se vão pela rua.
E só então,
quando estão mortos, quando estão vestidos,
é que a cidade os recupera hipócrita
e lhes impõe os seus deveres quotidianos.

Julio Cortázar

Deixo ao cego e ao surdo

A alma com fronteiras,

Que eu quero sentir tudo

De todas as maneiras.

Do alto de ter consciência

Contemplo a terra e o céu,

Olho-os com inocência...

Nada que vejo é meu.

Mas vejo tão atento

Tão neles me disperso

Que cada pensamento

Me torna já diverso.

E como são estilhaços

Do ser, as coisas dispersas

Quebro a alma em pedaços

E em pessoas diversas.

E se a própria alma vejo

Com outro olhar,

Pergunto se há ensejo

De por isto a julgar.

Ah, tanto como a terra

E o mar e o vasto céu.

Quem se crê próprio erra,

Sou vário e não sou meu.

Se as coisas são estilhaços

Do saber do universo,

Seja eu os meus pedaços,

Impreciso e diverso.

Se quanto sinto é alheio

E de mim se sente,

Como é que a alma veio

A acabar-se em ente?

Assim eu me acomodo

Com o que Deus criou,

Deixo teu diverso modo

Diversos modos sou.

Assim a Deus imito,

Que quando fez o que é

Tirou-lhe o infinito

E a unidade até.


Fernando Pessoa

20 de abr de 2010

Quando resolvo pensar um pouco mais na essencia humana, entendo melhor o que a velha frase “Pensar enlouquece”, quer dizer. Mas, me considero não enlouquecida (ainda) e as idéias começaram a passear em minha cuca (fundida) em relação à um tema: a paz virou um produto para ser vendido para mim e para você.

É dificil admitir que dentro de nós existem vários eus, várias faces, várias atitudes, já que defendemos ferrenhamente nosso lugar no mundo, nossa marca, a personalidade que nos cabe, e ainda, manter uma postura que às vezes é apenas a idéia que fazem de nós. e claro, cada um com a paz que precisa. Mas, diante de tantas mensagens aderentes a paz e humanidade, parei para refletir o quanto isso também soa hipócrita.

Que tipo de paz estão falando afinal? A paz é uma só? Sinceramente não concordo com esse conceito. Ouvir e dizer sobre a “paz mundial” já virou chacota, isso é fato, porque nos remete à uma utopia, algo que provavelmente nem o pó de meus ossos poderão “presenciar”. Então, que tipo de paz as pessoas buscam, se a enxurrada de informações para ficarmos alertas sobre nós mesmos com métodos e maneiras de lidar com vários tipos de humanos chega diáriamente por todos os lados, todos os poros? Sim, nos colocaram numa espécie de prateleira: Humanos saudáveis, Humanos nocivos, Humanos selvagens, Humanos lesivos.

O assunto é amplo, eu sei, e nem quero buscar nenhuma resposta concreta (outra utopia), mas se o lema atualmente é “ para cada pessoa, uma atitude”, o mercado que tem “comandado” a vida de nós, homo sapiens, deveria formular outra estratégia de marketing sobre a paz. Não dá pra cair mais nessa.


Camila Karina

Ainda está vivo ou
virou peça de arquivo
sua vida é papel
a fingir de jornal?

Dele faz-se bom uso
seu texto é confuso?
Numa velha gaveta
o esquecem, a caneta?

Após tantos escapes
arredonda-se em lápis?
Essa indelével tinta
é para que não minta
mas do que o necessário
é uma sigla no armário?

Recobre-se de letras
ou são apenas tretas?
Entrará em catálogo
a custa de monólogo?

Terá número, barra
e borra de carimbo?
Afinal, ele é gente
ou registro pungente?

Carlos Drummond de Andrade

19 de abr de 2010

Se você for da minha geração, deve se lembrar de quando surgiram os primeiros radinhos de pilha. Fim dos anos 50 (meu Deus, estou velho!) A marca era Spica. Era um luxo. Poucos tinham acesso. Era coisa de rico. Hoje virou lixo, sucata subdesenvolvida. Como o Brasil, coitado.

Os ricos d'antanho andavam pela rua com aquilo grudado no ouvido. Iam ao restaurante ouvindo o jogo de futebol. Faziam amor ouvindo La Vie en Rose. Pouco a pouco, foram percebendo que o destino do radinho de pilha era o porteiro do prédio. No dia que o primeiro porteiro de prédio ostentou um, o mundo não seria mais o mesmo. Nunca mais o rico usou radinho de pilha. Nem quando tem blecaute.

Com o celular, o processo foi o mesmo, já notou? Começou como ostentação e o pompeamento de altos executivos e empresários. Você entrava num restaurante chique e todos estavam falando naqueles aparelhinhos. Aos berros, em dolarês. Quanto menor, quanto mais o cara tinha que entortar a boca, mais status dava.

Outro dia o compadre Mateus Shirts andou escrevendo aqui que ouviu um, dentro de um ônibus, voltando de Rio Preto. Saiba, Mateus, que o meu porteiro comprou um. É isso, virou radinho de pilha.

Em Paris, me informa o Fernando Morais, já tem restaurante que proíbe o uso de celular. Não porque vá incomodar a mesa vizinha. Mas por ser cafona mesmo, ser "coisa de pobre". Já em junho, na Copa, era muito difícil ver um francês andando na rua falando no celular. Mas os estrangeiros, sim. Brasileiros então, nem se fala. E, por falar em Paris, eu tenho uma teoria: perdemos a Copa por causa dos celulares.

Tinha jogador que tinha três. Falavam até no intervalo dos treinos. Dava status. E convulsões, é claro. E eles estavam num lugar chamado concentração, onde evitavam a entrada da gente para não perturbar os jogadores. Mas a gente ligava para os celulares deles. Só mais uma coisa: o psicólogo era engenheiro. Entendeu?

Mas, voltando ao meu-Brasil-paraguaio — como diria Samir Cury Meserani —, algumas pessoas em São Paulo já perceberam que pega mal ficar usando celular em lugares públicos e privados. É sinal de pobreza física e mental. Já chegaram à conclusão óbvia que um celular na hora da refeição é sinônimo de burrice mesmo. Como é burrice usar aquelas ostensivas e infernais maquininhas eletrônicas - agendas - para marcar, na frente de todo mundo, o telefone de sicrano, coitado, que fica ali na sua frente, em pé, com pressa, até você conseguir ligar a danada, digitar o nome dele, pedir - de novo - o telefone, errar, deletar tudo, começar de novo, e o cara ali, com o velho e bom cartão na mão. Os usuários dessas maquininhas se dividem em duas categorias. Na primeira, os 50% que já conseguiram apagar - sem querer - todos os telefones numa digitada só. A outra metade ainda vai fazer isso, mais dias, menos telefones. É uma questão de dedo mole.

Falei nos jogadores da nossa seleção. E os ministro da nossa seleção? Principalmente os da área econômica. Parece que há uma intenção deliberada de não deixar aquele mala(n) pensar. Em todas as fotos deles, lá está, ao seu lado, ou melhor, no seu ouvido, o celular. Jamais saberemos com quem ele está falando. Ou, pelo menos, ouvindo. Sabe-se lá em que língua.

Eu acho que foi o economista Roberto Campos (o Bob Fields, lembra dele?) que disse que celular é igual pênis de velho. Cada vez menor, dobrável e, na hora H, não funciona. E com capinha, eu acrescentaria.

Você pode ter certeza de que a coisa ainda vai evoluir. O relógio do cidadão será o celular do futuro. Vai ser muito engraçado. Já estou a antever o restaurante cheio de homens com gel e conversando com o relógio. A última moda. É como se ele estivesse beijando o punho. Leva na boca, leva no ouvido, leva na boca de novo, volta para o ouvido. Na hora da discussão familiar, tá vendo o ritmo boca-orelha-boca? Mas eles vão adorar. Até que um dia vão encontrar o porteiro do prédio com o relógio dependurado na orelha. E agora, o que é que eu faço?

Então ficamos assim: o chique agora é não usar celular. Àquelas pessoas que até agora se negaram a entrar na moda, meus parabéns. Foi de uma grande lucidez. Já que ninguém me liga, vou ficando por aqui. E vou continuar a usar os meus dois celulares. Afinal, sou um escritor. Pobre, como toda a minha turma. Uma turma em que todos têm celulares. E, quando funciona, a gente se liga e vai tocando a vida, louco por mais uma novidade que, tenho certeza, com que a Telefônica vai nos brindar. E eu, com as minhas economias, serei o primeiro a usar. Adoro essas maquininhas todas. Sou um pobre metido a rico.

Como o Brasil.


Mario Prata

16 de abr de 2010

Pudera meu corpo diluir sensações tão rapidamente como meus olhos se abrem diante do espanto
Pudera meu rosto disfarçar os pensamentos que me cercam
Pudera meu ânimo permanecer depois de encontrar muralhas
Quem poderia dominar os ventos e as chuvas dentro peito?
Quem poderia ignorar as impressões e inibir os trejeitos?
Não se cale
Não se entale
Desprenda seus pontos
Desate as amarras
Deixe o movimento fluir
A verdade é, que no fundo, todos sabem o momento de partir

Camila Karina

15 de abr de 2010

Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão.

Jean Paul Sartre
Diz (Dizer)
Des (fazer)
Ações que dentro de sí não se pode retroceder
Que faceta do coração
Lapidar,machucar,algemar
Deixando a poeira aos ventos
Neste instante quero água apenas para beber
Eu não pedi
Um banho frio
Abrandar a temperatura
Quis dizer (que)
Des (prazer)
Ouvir tantas confusões em certa altura

Camila Karina

14 de abr de 2010

Talvez o nosso mundo se convexe
Na matriz positiva doutra esfera.

Talvez no interspaço que medeia
Se permutem secretas migrações.

Talvez a cotovia, quando sobe,
Outros ninhos procure, ou outro sol.

Talvez a cerva branca do meu sonho
Do côncavo rebanho se perdesse.

Talvez do eco dum distante canto
Nascesse a poesia que fazemos.

Talvez só amor seja o que temos,
Talvez a nossa coroa, o nosso manto.

José Saramago

13 de abr de 2010

Perceba
Enquanto você caminha nesta linha
Anda de mãos dadas com meus planos
A realidade pode ser um dano (para um dos lados)
Talvez isso seja um engano
Quem lhe disse que não cometo erros?
Quem trocou os dissipados termos?
Nada pode ser firmado, fincado, pregado
Em solo incerto.
É certo que nesta linha, quem caminha pode tropeçar
Das escolhas que encontro, tenho duas para pensar: desperto ou continuo a sonhar.

Camila Karina

12 de abr de 2010

Ecos discordantes
As mudanças acontecem num instante
O que reflete e compele à resistência
Que defesas mostrar diante dos monstros íntimos?
Apresente as armas, sua própria infantaria
Uma canção de notas dissonantes
A ilha da desolação
Salve (desarme) a si mesmo
Desobedeça o senhor (terror)
Os atritos e os ânimos arrefecem
Nesta incoerência, esqueça as consequências
Só se encarregue do amor.

Camila Karina

11 de abr de 2010

Mexendo no “pacote de emoções do dia”, lembrei da música de Chico Buarque, “Construção”, e tive sensações que só poderia explicar com maior amplitude se eu conversasse pessoalmente com você, leitor.

Mas isso não vem ao caso agora.

É muito peculiar pensar na vida como ela fosse uma construção, e é bem fácil remeter muitos causos da vida a pequenos detalhes de uma obra. Observei a cozinha de minha casa e percebi algumas partes que precisam de pintura, outras precisam de organização, outras partes estão bem agradáveis, porém faltam alguns objetos que a deixariam mais completa.

Descrevi um raio-x de mim mesma, de forma bem irreverente até. Sim, posso ser uma construção, com muitos cimentos de experiências das pessoas que me inspiram confiança, pinturas de positivismo, e claro..algumas falhas. Sempre ficam aquelas bolinhas que nem a lixa consegue esconder, marcam pra sempre, mas com o decorrer do tempo acabam sendo esquecidas.

É inevitável, sempre existe aquele “espírito de porco” que tenta destruir alguma parte da obra, ou uma mudança no plano de arquitetura imprevisível, porém, todo mundo pode concluir sua própria obra, basta iniciar pelos melhores alicerces. Mudanças na planta da casa? Faz parte.
Nada como novas idéias pra acrescentar no seu projeto de vida.

Camila Karina

9 de abr de 2010

De muitas vidas
De muitas idas
E vindas
Retorne
A paz
Acalme e aguarde
O reencontro no extremo ponto (é o amor)
De equilibrio
No enlace
Me abrace
E afaste, o entrave sombrio

Camila Karina

7 de abr de 2010

Os micros, os minimos, os pequenos detalhes que formam a grande célula
Co-reação
De um coração (em)
Migalhas
Pedaços
Mil galhos
Quem eles sustentam?
As árvores precisam dos galhos para sustentar as folhas, mantendo-as livres, espallhadas
E as migalhas?
Aos pássaros
Sou de carne e osso, carnívora, sanguinea, quero o pão.
Os farelos são como retalhos
Roupas perdidas e olhares para o chão.

Camila Karina
Quando a mente é uma cidade, grande metrópole dos edifícios
É dificil.
Espremer, expressar, exprimir, se eximir de grandes muros
Construidos ao longo dos anos, destruídos aos poucos, em prantos
Nas telhas, telas, teias e vários tijolos, escondem-se pequenos segredos
Em cada edifício, é dificil desvendar
Quem é o culpado.
Nas grandes cidades, mentes metrópoles, em cada edifício.
É dificil
Pequenos cantos, vazio de planos, cheios de grandes construções
O que edifica, petrifica e permanece são as dúvidas
Cheias de grandes conclusões
Edifício.


Camila Karina

6 de abr de 2010

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?


Ariano Suassuna

5 de abr de 2010

Nas margens, limites e afins
Que tédio e insatisfação traçados nas linhas horizontais, no horizonte, caminho que leva
Percepções destas mesmas margens que delimitam, esclarecem e embrutecem sem querer
No entanto, cá me encontro diante de minhas malas prontas. Pronta para partir, para seguir e levar o essencial, sem destino.
Um próximo passo e uma fila no acaso.
Espero minha vez, ao proximo sinal (o meu sinal)
Embarco.

Camila Karina

4 de abr de 2010

"A minha cabeça gira. Não, a minha cabeça não gira, a minha cabeça cresce e se derrama pela rua. E eu fico vendo as pessoas caminharem por entre os meus cabelos. No começo, elas têm alguma dificuldade, mas sorriem e vão afastando pacientemente os fios. Mas os fios aumentam e se tornam cada vez mais espessos, instransponíveis. E então as pessoas se enfurecem e apanham foices, tesouras, facas e agulhas e vão cortando e furando os meus cabelos que não páram de crescer sobre a cidade de pessoas enfurecidas."

Trecho do Livro "O ovo apunhalado", de Caio Fernando Abreu
Quando mais nada houver,
eu me erguerei cantando,
saudando a vida
com meu corpo de cavalo jovem.

E numa louca corrida
entregarei meu ser ao ser do Tempo
e a minha voz à doce voz do vento.

Despojado do que já não há
solto no vazio do que ainda não veio,
minha boca cantará
cantos de alívio pelo que se foi,
cantos de espera pelo que há de vir.

Caio Fernando Abreu

3 de abr de 2010

A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não.
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Vou-me embora p'ra Pasárgada!
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo:
A dor de ser homem...
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.

Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei...
Na vida inteira que poderia ter sido e não foi.

Quero descansar.
Morrer.
Morrer de corpo e alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir.)

Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

Manoel Bandeira

2 de abr de 2010

"A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis."

Ana Cristina Cesar

1 de abr de 2010

gotas
caem em golpes
a terra sorve
em grandes goles

chuva
que a pele não enxuga
lágrima
a caminho de uma ruga

água viva
água vulva

Alice Ruiz

Pensaram por aqui

 

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