27 de mar de 2017

Quando a mudança é significativa, a sensação é de pele rasgando, uma angústia que não se pode "tocar". Talvez um luto pela coisa deixada para trás, a partida de aspectos que julgávamos nossos. 

Nada é nosso, isso é um fato. E nem as convicções do momento. Mas, elas existem para que tracemos nossas perspectivas e assim, possamos construir pouco a pouco um alicerce de entendimento. 

E por isso, me recuso a tentar provar o tempo inteiro minha capacidade. Aliás, me recuso a partir de agora. Já o fiz, antes. 

Me recuso a colocar-me em posição de competidora com os que estão por perto. 
Me recuso a mostrar, desesperadamente, que cresci. 

Sou telespectadora e participante do cenário. Como aprender a conviver com estes dois papéis antagônicos? 

O que me causa repulsa é o machismo velado, a piada cínica na qual acabo rindo para manter a "política da boa vizinhança". Expressão que aliás, nunca desceu sem amargar minha garganta. 

Uma amiga avaliou meu comportamento como anarquista. É possível vide livros e pessoas com as quais convivi na adolescência. Mas sei também que é uma utopia, afinal, o capitalismo nos revela todos os dias nossa realidade. 

O português é uma língua rica, linda e impecável, mas não sou e nem serei perfeita na escrita, ninguém será. Ninguém, ressalto. 

Nunca me acostumei a acordar cedo. Ouvi durante anos: "Logo você acostuma". Não aconteceu. Aliás, cada vez mais acho que acordar cedo desgasta a energia que ainda temos para concluir o sono saudável. 

Tempo in locuo não é sinônimo de produtividade. Mas quem convencerá os tradicionalistas ainda tomados pela herança emocional e cognitiva da revolução industrial? É desgastante. 

-"É urgente.

E a nossa própria urgência em salvar-se?  

Olho para frente e ainda não enxergo muito. Falta de planos? Não. 

Estou maturando ideias. 


Camila K. Ferreira

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