28 de fev. de 2010

Por vários corredores, pisos lisos, brancos, vazios
Incertos caminhos, corredores de ecos traçados por linhas mínimas
Os pés cortados e rostos envoltos no drama
A sobrevivência diante dos olhos
Em cada encontro a mesma pergunta
Os caricatas e suas folhagens incompreensíveis
Estavam à procura da saída
A ala psicológica de escadas difíceis
Estreitas por si
O armário que oculta os segredos
Afastado por mãos desconhecidas e sábias
Eis a saída: porta estreita, encolhida e esperada
Desperto.


Camila Karina

27 de fev. de 2010

"Quem sabe mal digo mentiras, vai ver só minto verdades."


Paulo Leminski

" Somos inocentes em pensar, que sentimentos são coisas passíveis de serem controladas. Eles simplesmente vêm e vão, não batem na porta, não pedem licença. Invadem, machucam, alegram (...) "


Caio Fernando Abreu
"Como a vida é tecelã imprevisível, e ponto dado aqui vezenquando só vai ser arrematado lá na frente"

Caio Fernando Abreu

26 de fev. de 2010

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.


Carlos Drummond de Andrade

25 de fev. de 2010

Não sou anterior à escolha
ou nexo do ofício
Nada em mim começou por um acorde
Escrevo com saliva
e a fuligem da noite
no meio de mobília
inarredável
atento à efusão
da névoa na sala.

Sebastião Alba

24 de fev. de 2010


Petit Nicolas", do cartunista Jean Jacques Sempé.

Pensaram por aqui

 

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