10 de abr de 2009



O que é a natureza senão o mistério que tudo engloba? Cada coisa tem o seu lugar. Que o digam as pirâmides do Egito. (as vezes esses mistérios me cansam..). As pirâmides são eternas. Vão ser sempre restauradas. Entre as marteladas (de palavras, grandes marteladas que ecoam) eu ouço o silêncio.
No disco de vitrola as circunvoluções negras por um triz não se misturam com outros círculos mágicos: e daí sai a aura da música. Eu tenho aura musical. O disco eu o pego e perpasso de leve por pêlos de meu braço e os pêlos se arrepiam eriçados. É que sua aura toca a minha.
O céu é ar concentrado. É o abismo.
Madeiras podres.
Cuidado que a Natureza pensa.
Eu sempre quis atingir um estado de paz e de não-luta. Eu pensava que era o estado ideal. Mas acon­tece que — que sou eu sem a minha luta? Não, não sei ter paz.
Minha pergunta é do tamanho do Universo. E a única resposta que me preenche a indagação é o pró­prio Universo.
Descobri um poder: o poder de estar num quarto fechado a chave: eu me aprisiono e me concretizo. Embora continue sendo uma abstração. Não é contra­ditório se concretizar e se abstrair: eu me concretizo num plano que não é do desígnio do mundo.
Há um mistério num copo d'água: eu olhando a água tranqüila parece que leio nela a substância da vida. Como um vidente diante da bola faiscante de cris­tal. Esta história ainda não aconteceu. Vai acontecer no futuro. O futuro já está comigo e não vai me de­satualizar. Ou vai?
Sou uma pergunta insistente sem que eu ouça uma resposta. Nunca ninguém me respondeu
ponho-me de ouvido atento a escutar a resposta. Como se minha pergunta gritada me desse mais do que o eco da pergunta.
Sou acompanhada por órgão e também por flauta doce. A flauta em espiral. E sou muito tango também.
Sou desafinada, que posso fazer? Nasci esquerda.
Os instintos exigentes, a alma cruel, a crueza dos que não têm pudor, as leis a obedecer, o assassinato — tudo isso me dá vertigem como há pessoas que des­maiam ao ver sangue: o estudante de medicina com o rosto pálido e os lábios brancos diante do primeiro cadáver a dissecar.
Tenho-tenho-que me ouvir: é que eu não me disse ainda certas coisas que são misteriosas mas com gosto de sangue na boca. Coisas di­fíceis de serem plenamente vividas pois onde está o centro único da polpa da fruta para eu morder? Dis­parar enfim a seta. Mas se eu não atingir o exato alvo perecerei. É por medo disso que não ouso. E essa palavra for cheia de si mesma e fonte de sonho.Para en­quanto isso eu ter recolhimento de meu silêncio. E por­que sei me calar. Calar-se é nascer de novo.
Às vezes eu me coloco numa situação de ver um pouco antes de ver mesmo. Eu pressinto o instante que se segue e cadenciadamente minha respi­ração acompanha o ritmo do tempo. Eu que sinto antes de sentir. A harmonia é pressentir a próxima frase, o próximo som, a próxima visão.
Ultrapasso mi­nhas fronteiras e entro no ar: o ar é o meu espaço. Antes tinha acontecido o caos e desse caos é que saiu o espetáculo.
Salve-se quem puder porque para todas as horas é sempre chegada a hora. Cada instante é salve-se quem puder.
Ninguém descansa em cadeira de dentista.
O futuro me chama danadamente — é para lá que eu vou. Desastre? Sei lá.
Por que é que tudo se diz: fica para a semana que vem? Eu estou aqui, aqui à espera. Vivo agora e o resto que vá para a puta que o pariu.
A incomunicabilidade de si para si mesmo é o grande vórtice do nada. Se eu não acho um modo de falar a mim mesmo a palavra me sufoca a garganta atravessando-a como uma pedra não deglutida. Eu que­ro ter acesso a mim mesmo na hora em que eu quiser como quem abre as portas e entra. Não quero ser ví­tima do acaso libertador.

3 comentários:

Gustavo disse...

Gostei do teu blog, diz muito sobre sua personalidade. Apesar de você falar pouco, foi um prazer conhece-la e conversar o pouco que deu!
ehhehe

O ricardo me deu endereço do blog.

Espero reve-la.

Até logo!

Ricardo disse...

Caralho Maria Joaquina! tu tem o dom de fazer eu pensar na vida huahauhua,

" sei me calar", bixo, gostei!

E esse gustavo já quer se entrosar! uhahuauhauha sai daí nariga!

Sai da toca maria joaquina, sai da toca!

Tânia Takao ^_^ disse...

a natureza pensa [2] =)

sim sim.
e sempre para nosso bem, mesmo que a princípio não pareça.

=)

Pensaram por aqui

 

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