14 de fev de 2009

Eis o que pensei; para que o mais banal dos acontecimentos se torne uma aventura, é preciso e basta que nos ponhamos a narrá-lo. É isso que ilude as pessoas: um homem é sempre um narrador de historias, vive rodeado por suas historias e pela historia dos outros, vê tudo o que lhe acontece através delas, e procura viver sua vida como se a narrasse.
Mas é preciso escolher: viver ou narrar.
Quando se vive, nada acontece. Os cenários mudam, as pessoas entram e saem eis tudo. Nunca ha começos. Os dias se sucedem aos dias, sem rima nem razão: é uma soma monótona e interminável.
Viver é isso. Mas quando se narra a vida, tudo muda; simplesmente é uma mudança que ninguém nota: a prova é que se fala de historias verdadeiras. Como se fosse possível haver historias verdadeiras; os acontecimentos ocorrem num sentido e nós os narramos em sentindo inverso. Ele esta ali, invisível e presente, é ele que confere as poucas palavras a pompa e o valor de um começo.
E temos a impressão e que o herói viveu todos os detalhes dessa noite como anunciações, como promessas, ou ate mesmo de que vivia somente aqueles que eram promessas, cego e surdo para tudo que não anunciava a aventura. Esquecemos que o futuro ainda não estava ali; o sujeito passeia em uma noite sem pressagio, que lhe proporcionava de cambulhada suas riquezas monótonas, e ele não escolhia.
Quis que os momentos da minha vida tivessem uma seqüência e uma ordem como os de uma vida que recordamos. O mesmo ou quase, que tentar capturar o tempo.

Sartre

*Cantinho da Neurose: Eu prefiro viver. Viver e narrar. Viver, por mais que as circuntancias nao sejam favoraveis a principio.

2 comentários:

Lucio Costa Leite disse...

Sartre ou Sartre eis a questão! Vejo que o existêncialismo assentou morada em se coração. Esse texto me chamou a atenção pelas possibilidades que ele encerra, acredito que buscamos o grandioso, o intangível quando na verdade a vivência é simples e comensurável, latente.
Quem dera eu conhecer as razões secretas das coisas, da simplicidade que é viver. Beijos.

Camila Karina disse...

é Lú, ainda tenho tais dúvidas repetidas e talvez até ande pelas filas dos incrédulos, mas em todo caso, continuo vivenciando o que a vida me proporciona.

Pensaram por aqui

 

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