1 de mai de 2010


Em certos momentos, nos deparamos com situações insalubres e acabamos por “coagir” nossas reações com severidade a certo limite. Uma linha imaginária. Uma situação que me atordoa, às vezes, quando percebo que tais reações delimitadoras e impositivas arrefecem a espontaneidade, as reações extremas, valorizadas apenas quando éramos crianças.

Quer dizer, hoje em dia, não posso afirmar mais isto. Sentada num restaurante, vi uma criança muito entusiasmada com os talheres coloridos da mesa e seu pai, logo em seguida, tomou os talheres da mão da criança e sentenciou: “Sente e coma quieto!”.

Aquilo me feriu. Não entendi muito bem o porquê inicialmente. Nunca passei por tal situação quando criança, aliás, sempre fui muito livre para até mesmo brincar com a comida. Mas, num certo momento, diante de pequenas experiências, fui me tornando mais severa.

Não com os outros, mas comigo mesma. Hoje sei e admito que a televisão teve muita influência nos meus conceitos, além os livros que li e as pessoas com quem conversei. Essa herança emocional compactou alguns pequenos ditados de sobrevivência, em nossa selvagem sociedade.

Nos desenhos, o bonzinho se dá mal, o mais esperto sempre vence. Ou bonzinho sofre um bocado para chegar à vitória. Eu, que acompanhei o Incrível Hulk, e assisti o filme A Mosca, acabo por transcrever aqui minhas lembranças e grandes influências.

Hulk ficava verde quando era provocado. (nunca fiquei verde, só vermelha). A mosca passava por uma transformação dolorida e se tornava horripilante. Mas também assisti à turma do Chaves, com aquele humor meio ácido, no qual a Chiquinha transparecia toda a malícia ingênua de uma criança. É possível entender esse pout-porri?

Neste caso, não existem culpados. Creio que cada um tem seu próprio “manual de sobrevivência", mas me aconselho, e, consequentemente, aconselho a você também. Que tal perder a cabeça, tremer, ter vários nervosorsimos, que variam de síndrome das pernas inquietas ao girar dos dedos polegares, falar sem filtros. Isso por um dia, só para sentir o quão livres não somos, apesar de afirmarem isso? Só não aconselho ter essa reação todos os dias. A sociedade continua sendo selvagem. Podemos ser engolidos ou internados num sanatório.

Camila Karina

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